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quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Se os medicamentos atuais não curam a doença, qual o benefício deles para o paciente?

Embora o tratamento farmacológico da DA não modifique ou interrompa a doença, ele melhora significativamente a qualidade de vida do paciente e do cuidador em todas as fases da doença. Além disso, os sintomas pioram progressivamente se a DA não for tratada. O tratamento com medicamentos inibidores da AChE é sintomático; eles melhoram moderadamente as funções cognitivas, o humor (especialmente a apatia), a interação social e as atividades de vida do dia a dia. A memantina melhora a função e cognição, e alguns estudos mostram que ela talvez seja benéfica na prevenção e tratamento da agitação, agressão e outros distúrbios comportamentais.

O Mal ou Doença de Alzheimer é genético?

A maior parte das pessoas com DA tem a forma esporádica da doença, que se inicia mais tarde (depois dos 65 anos de idade) e na qual não existe um padrão de herança genética. Já a forma familiar é rara (corresponde a 8% dos casos de DA), geralmente se inicia antes dos 65 anos de idade (pode aparecer aos 35 anos por exemplo) e tem um padrão genético autossômico dominante.

No caso familiar, se um dos pais tem a doença, a chance que o filho também a tenha é de 50%. Para este tipo da doença já há alguns testes que detectam as mutações que são transmitidas dos pais para o filho, porém este teste é feito apenas em alguns lugares do mundo.

A forma esporádica pode estar associada à mutações gênicas e à combinações específicas de alelos, e parece que a presença dos alelos E4 é o risco que está mais consistentemente associado à DA. Rapidamente falando, existem 3 tipos de alelos para codificar a apolipoproteína E, presente no sangue: E2, E3 e E4. Pessoas com os dois alelos E4 (um herdado do pai e outro da mãe) têm 7 vezes mais chance de ter DA do que pessoas com outras combinações de alelos. Mutações em outros genes (por exemplo Tau, DYRK1A, TOMM40, CLU e PICALM) também são fatores de risco baixos para o desenvolvimento da DA. Porém devo lembrar que o fator de risco apenas aumenta a pré-disposição individual a ter a doença e não quer dizer, em hipótese alguma, que a pessoa terá a doença.

O paciente com Alzheimer pode viver quanto tempo?

Geralmente a DA apresenta progressão lenta com duração média de 5 a 15 anos entre o diagnóstico e a morte. No entanto, o ganho sintomático obtido com o tratamento farmacológico muitas vezes está associado a uma melhora das funções cognitivas e das atividades de vida do dia a dia, atrasando assim a evolução da doença. Não obstante, o acompanhamento médico regular e o tratamento não farmacológico também parecem contribuir para a sobrevida do paciente. Já o não tratamento, doenças concomitantes e o consumo de muitos medicamentos podem acelerar o declínio das funções cognitivas, acelerando o prejuízo mental da DA.

Muitos pesquisadores têm considerado a área da prevenção como a mais promissora na pesquisa das demências, pois muitos fatores têm se mostrado protetores para ela. Pessoas com atividade intelectual intensa estabelecem mais sinapses (estruturas destruídas na DA) e por isso desenvolvem a DA mais tardiamente e, pelo menos no início do aparecimento da doença, os sintomas parecem progredir mais lentamente. Não devemos contudo pensar que a atividade intelectual atua como uma vacina contra a DA. Muitas pessoas extremamente inteligentes têm a doença, porém a maneira como ela se apresenta pode ser menos danosa que o habitual. Outra maneira de tentar adiar a DA é promover a boa circulação cerebral através do controle da hipertensão, do diabetes e dos nível elevados de colesterol. A realização de atividade física regular, o tratamento da depressão, evitar o tabagismo e evitar o abuso no consumo de álcool parecem também atuar como fatores protetores para a DA e também para muitas outras doenças crônicas.

Quais os primeiros sintomas da doença de Alzheimer? Eles aparecem normalmente em qual idade?

Os sintomas presentes na DA, como por exemplo o prejuízo de funções cognitivas (geralmente e especialmente a memória), não são específicos pois podem estar associados ao uso de medicamentos tranquilizantes e/ou que induzem o sono, algumas doenças (por exemplo o hipotiroidismo), depressão e outros tipos de demência. Logo, é sempre importante desconfiarmos de outras causas antes de pensarmos em DA.

Geralmente uma pessoa com DA na fase inicial apresenta alteração de memória principalmente para fatos recentes e desorientação espacial. Futuramente começa a surgir o comprometimento de funções elaboradas como gerenciar as próprias finanças, planejar uma viagem ou até mesmo preparar uma refeição leve. Entretanto, o médico desconfia de DA quando estes sintomas iniciam entre os 40 e 90 anos; mas é frequentemente após os 65 anos que os sintomas da DA começam a aparecer. O início súbito da doença e achados neurológicos focais (como por exemplo hemiparesias, alterações de sensibilidade e dos campos visuais, sinais cerebrais e crises convulsivas) no início da doença ou muito precoces no seu curso geralmente não condizem com o quadro de DA, tornando seu diagnóstico improvável ou incerto.

Qual dica o doutor oferece para os pacientes e para os cuidadores para que eles tenham uma melhor qualidade de vida?

O treinamento cognitivo em pacientes nos estágios iniciais da DA parece ser interessante para a melhora cognitiva na evolução da doença. Assim, é fundamental que sejam estimuladas as funções cognitivas dos pacientes (atenção, memória, linguagem etc.) seja por psicólogos, terapeutas ocupacionais ou mesmo pelos cuidadores. É também de extrema importância que o cuidador preserve ao máximo a independência e autonomia do paciente. Muitas vezes o cuidador acaba facilitando ou até mesmo executando as atividades diárias do doente, como por exemplo alimentá-lo na cama. Isso é um erro. O doente passa a ser infantilizado, sua identidade é deixada de lado, e suas capacidades não são estimuladas, o que o torna um inválido. A preservação da independência mantém a auto-estima e também diminui a carga de trabalho do cuidador. Paralelamente, o idoso muitas vezes perde a disposição para realizar algumas atividades, mas cabe ao cuidador e ao familiar estimulá-lo. Entretanto tenha cuidado com atividades fora do alcance do paceinte; ele vai acabar se frustrando por não conseguir realizá-la, gerando depressão, isolamento e raiva. As atividades realizadas devem ser agradáveis para o paciente, não devem ser muito complexas nem muito simples, e precisam ter algum significado para ele. Para isso é importante levar em conta os interesses prévios do paciente, coisas que ele costumava e se interessava em fazer.

O fator inter-geracional deve sempre ser trabalhado! A interação do doente com netos e bisnetos deve ser encorajada. Isso melhora a aceitação e o respeito por parte das crianças e adolescente, e o idoso mantém contato com as gerações mais recentes.

Na maioria das vezes os cuidadores acabam dividindo suas tarefas de cuidador com suas atividades diárias e com o cuidado de filhos e outros parentes. Há então uma sobrecarga de trabalho, o que pode levar a um isolamento afetivo e social do cuidador bem como a uma exaustão. Os sinais geralmente associados à exaustão sã fadiga permanente, irritabilidade, explosões de choro ou raiva por qualquer motivo, tristeza e choro sem motivo. Assim, é importante que o cuidador participe de atividades e grupos de apoio, e, se possível, faça acompanhamento com médico, educador físico e psicólogo. O cuidador deve também buscar serviços médicos de apoio ao paciente com DA - como programas ambulatoriais e serviços em regime de hospital-dia - a fim de reduzir a carga de cuidado. Do mesmo modo, cabe a ele dividir o cuidado com outros membros da família; por exemplo, os familiares que moram longe podem contribuir com o dinheiro das despesas dos cuidados e os familiares mais atarefados podem contribuir nas atividades periódicas como idas ao médico e ao laboratório para a realização de exames. Não exclua a possibilidade de contratação de um cuidador pago, nem que pelo menos durante um dos períodos do dia. E cuidador, lembre-se: o ato de cuidar e conviver com o paciente com DA irá certamente lhe proporcionar sentimentos únicos de crescimento e transformação, e não deixe de reservar períodos do dia e da semana para praticar suas atividades de interesse pessoal, que não tenham relação alguma com o paciente com DA.

Criasaude.com.br, 11 de junho de 2011.

Dr. Thiago, há algum teste ou exame que mostre se a pessoa possui alguma pré-disposição para a Doença de Alzheimer?

Primeiramente precisamos definir “pré-disposição”. Por exemplo, para desenvolvermos uma gripe é necessário ser infectado por um tipo de virus. Entretanto, fatores como uma baixa imunidade podem facilitar a infecção viral e o aparecimento da gripe. Neste caso, a baixa imunidade seria um fator de risco para a gripe pois pré-dispõe a pessoa à doença. Alguns fatores de risco já são conhecidos por estarem relacionados ao aparecimento da Doença de Alzheimer (DA). São eles: hipertensão arterial, Acidente Vascular Encefálico (AVE, mais conhecido por derrame), diabetes, hipercolesterolemia desenvolvida na vida adulta, consumo de álcool, tabagismo e obesiade. Além disso, há algumas mutações gênicas e algumas combinações de alelos em determinados genes que aumentam o risco para a DA. Por exemplo, atualmente pode-se tipar a apolipoproteína E presente no sangue. Pessoas com a presença do tipo E4 têm uma pré-disposição maior ao desenvolvimento da DA. Mas cuidado! A presença de um ou mais dos fatores de risco acima não significa que a pessoa terá a DA. Muitas pessoas que tomaram conhecimento de que têm um ou os dois alelos E4 passaram por significativo abalo emocional e depressão, ambos desnecessários já que não há garantia que terão a doença. Logo, não faz sentido realizar este tipo de tipagem sanguínea antes do aparecimento dos sintomas da DA.

Quais os medicamentos atuais indicados para o Alzheimer? Eles curam a doença?

Atualmente o tratamento da DA se baseia no uso de medicamentos inibidores de uma enzima cerebral, a acetilcolinesterase (AChE). Tais medicamentos aumentam a quantidade de acetilcolina no cérebro (substancia degradada pela AChE). Porém, estes fármacos promovem um tratamento apenas sintomático e paliativo. Ainda não há medicamento disponível que reduza ou interrompa a degeneração cerebral causada pela DA. Os inibidores da AChE disponíveis no mercado são a donepezila, a rivastigmina e a galantamina. O efeito desses medicamentos começa a aparecer após 8 a 12 semanas do início do tratamento, e deve-se sempre tentar atingir a dose máxima tolerada (dose máxima em que ainda não aparecem reações adversas). Isso é feito para tentar conseguir a máxima melhora funcional possível para o doente. Muitas pessoas com DA não respondem a ao tratamento inicial com um dos inibidores da AChE. Nesses casos pode-se tentar utilizar outro medicamento desta mesma classe ou associar o medicamento inibidor da AChE com a memantina. A memantina, medicamento disponível para o tratamento da DA desde 2003, diminui a velocidade do declínio cognitivo em pacientes com DA moderada a grave e reduz distúrbios comportamentais e agitação psicomotora. Os inibidores da AChE são indicados para o tratamento da DA nas fases iniciais a moderada.

O tratamento, qualquer que seja, deve ser iniciado por médicos especializados no cuidado de pacientes com demência, como neurologistas, psiquiatras e geriatras. O tratamento e o esquema terapêutico devem ser reavaliado a cada 6 meses - também por um especialista - por avaliação global, funcional e comportamental do paciente geriátrico, e pelo teste do MEEM (Miniexame do Estado Mental) ou do CDR (Clinical Dementia Rating). Enquanto houver benefício clínico o tratamento deve ser continuado.

Drogas antipsicóticas são usadas comumente para tratar agitação, agressão e psicose com eficácia moderada. Alguns aticonvulsivantes como a carbamazepina também têm sido usados com esta finalidade. Para o tratamento da depressão associada podem ser usados antidepressivos como o citalopram e a sertralina. A maioria destes medicamentos são usados na DA de modo off-label (isto é, sem indicação para pacientes com DA na bula).

Promessa de novos tratamentos contra Alzheimer


nglaterra - EUA - Brasil – Cientistas prometem dois novos tratamentos contra Alzheimer. Um é a base de anticorpos e já deve ser testado em humanos no ano que vem; o outro que utiliza células troncos é promesa para daqui 5 anos.

Um estudo realizado na University College de Londres, publicado na revista Nature Communications, indica que dois anticorpos específicos podem impedir a ação da toxina beta-amiloide, que é uma proteína que se acumula nos cérebro das pessoas com Alzheimer, dificultando a comunicação entre as células. Este estudo foi realizado em camundongos, mas estudos em humanos já estão previstos para o ano que vêm.

Outro estudo realizado em ratos, conduzido pelo cientista Kiminobu Sugaya, demonstrou que o aumento do número de células no cérebro, através do uso células-tronco, pode deter a doença. Não há nada comprovado, mas os resultados são muito promissores.

A Língua

A língua deve ser massageada com escova macia, para remoção de sujidades.

Em caso de haver presença de uma crosta branca sobre a língua - saburra - removê-la utilizando uma solução de bicarbonato de sódio, na proporção de 1 colher de café de bicarbonato em 1 copo d´água. Para executar a limpeza da língua, molhar na solução a escova de dentes, ou uma espátula envolvida em gaze, ou mesmo o próprio dedo indicador envolto em gaze e proceder a limpeza. Esta deve ser feita com movimentos suaves, sem esfregar.

O que observar

Deve-se observar cuidadosamente a presença de lesões na cavidade oral - manchas brancas, vermelhas, pequenos ferimentos que sangram e não cicatrizam - e neste caso, alertar o médico responsável.

Cuidar bem da boca é sempre necessário!

A higiene oral é um hábito saudável e agradável que deve ser mantido ao longo de toda a vida. Alterações da mucosa oral, perda de dentes, próteses mal ajustadas, gengivites (inflamação das gengivas), diminuição do fluxo salivar, são fatores que podem ocasionar infecções na cavidade oral.

A higiene oral deve ser realizada após cada refeição ou num mínimo de 3 x dia.

A boca deve ser inspecionada imediatamente após cada refeição, para que dessa forma, possa ser removido todo e qualquer resíduo alimentar.

Utilizar escovas de dentes de cerdas macias, massageando as gengivas verticalmente com suavidade.

Pode-se utilizar após cada escovação anti-sépticos orais, mantendo assim um hálito agradável.

Algumas vezes é muito difícil fazer com que o paciente abra a boca para se fazer a higiene oral. Tente introduzir delicadamente uma espátula entre os dentes e faça um movimento rotatório, caso não seja possível, utilize o próprio dedo indicador envolto em gaze para que seja possível a higienização.

Ele gostava de viajar, não pode mais?

O lazer deve ser encarado como necessidade básica e dessa forma, todos os hábitos e preferencias do paciente devem ser mantidos e adaptados segundo o grau de dependência apresentado e visando preservar e manter, por longo tempo, atividades que produzam bem estar.

Uma das alterações que o paciente apresenta é a desorientação espacial. Deve-se ter muito cuidado com mudanças de ambiente, que produzam estranheza a ele fazendo com que possam ocorrer crises de delírio, agitação e alucinação.

As viagens são indicadas, desde que curtas.

O motorista deve avaliar a necessidade de parar o veículo a intervalos de tempo que não excedam 2h, para dar oportunidade ao paciente de caminhar, alimentar-se ou ir ao banheiro.

Evitar viagens de automóvel no meio do dia, especialmente no verão.

É aconselhável iniciar uma viagem de carro, ao amanhecer, aproveitando que o paciente (na maioria dos casos) acorda cedo.

As viagens de avião também são permitidas, porém deve-se levar em conta as horas do vôo. Converse com seu médico, apenas ele poderá avaliar a necessidade ou não de medicar o paciente, a fim de mantê-lo tranqüilo durante a viagem.

Nas paradas, jamais se descuide dele, mantenha-o identificado (pulseiras, medalhas, etiquetas), atenção! ele pode perder-se.

Se houver um comportamento inadequado em público, discretamente retire-o do ambiente. Infelizmente para as pessoas que desconhecem a doença, alguns comportamentos apresentados provocam risos. Não permita que o paciente sinta-se exposto ao ridículo, ele é sua responsabilidade, trate-o com amor e respeito.

Permita que o paciente assista a filmes antigos, considere que sua memória antiga pode estar preservada.

Ir a restaurantes também é um hábito que deve ser mantido, se agrada ao paciente. Pense, no entanto, na escolha ideal. Restaurantes discretos e tranqüilos são os mais indicados.

É preciso mantê-lo ocupado!

Manter atividades é extremamente importante, porém deve-se levar em consideração as preferências anteriores do paciente na tentativa de mantê-las por maior tempo possível. Ouvir o aconselhamento de profissionais capacitados em manter as atividades é bastante útil, dessa forma, a ajuda de um fisioterapeuta e de um terapeuta ocupacional proporcionará adequada manutenção das atividades exercidas pelo paciente, respeitando-se o grau de dependência apresentado.

Todas as atividades devem estar subordinadas às habilidades e limitações atuais do paciente.

Observe e considere as preferências do paciente. desde que elas não representem perigo para ele.

Crianças costumam alegras pessoas idosas. Planeje atividades que envolvam pacientes e crianças, porém, lembre-se, elas devem ser supervisionadas. Considere que um simples choro de criança pode assustá-lo e precipitar crises de agitação e agressividade.

Quando possível, convide-o às compras ou leve-o a passear por um centro comercial. Esta atividade distrai e permite o exercício físico, tão necessário a ele.

Se possível, busque aconselhamento com profissionais capacitados (terapeuta ocupacional), que certamente terão condições de avaliar e indicar quais atividades poderão ser executadas pelo paciente, segundo as limitações físicas e/ou mentais apresentadas.

O paciente deve receber orientação de como realizar uma determinada atividades todas às vezes que for executá-la. Lembre-se que provavelmente você terá que terminá-la por ele.

Atividades domésticas simples, como varrer, tirar o pó, devem ser encorajadas, pois irão gerar, no paciente, um sentimento agradável de participação e utilidade. No entanto, você deve supervisionar estas atividades.

As habilidades devem ser analisadas, individualmente. A falta de interesse demonstrada pelo paciente pode simplesmente significar que ele não consegue realizar o tipo de atividade oferecida.

As atividades sociais fora de casa devem ser selecionadas, amigos ou parentes que o acompanham devem ter plena consciência de suas limitações, para que possam agir transmitindo calma e segurança.

O cuidador deverá ser bastante criativo e observador para adaptar e talvez substituir atividades que outrora eram realizadas com perfeição, mas que agora já não são mais possíveis.

As atividades profissionais (desde que possível) devem ser incentivadas e o paciente observado sutilmente, ainda que seja preciso que outra pessoa, em um segundo momento, refaça a tarefa executada por ele.

As atividades domésticas deverão contar com uma supervisão adequada, especialmente aquelas executadas na cozinha. Utilize estratégias como: "Hoje trouxe-Ihe uma receita deliciosa de bolo, no entanto, o segredo é batê-lo à mão", evitando com isso prováveis acidentes com eletrodomésticos.

Ele engasgou... e agora?

Engasgos são muito freqüentes nos portadores da doença de Alzheimer, nas fases mais avançadas o cuidador deve permanecer atento para esta ocorrência.

Evite alimentos secos, como biscoitos tipo "sequilhos", que embora sejam macios constituem-se grande perigo.

Pense que a peristalse (movimento de contração do esôfago que "empurra" o alimento para a frente) encontra-se diminuída e, neste caso, o paciente sente que o alimento está parado na garganta.

Quando perceber que ele está engasgando facilmente, consulte um profissional capacitado fonoaudiólogo - para que seja analisado o grau de comprometimento apresentado na deglutição e receber orientações sobre a apresentação (consistência) da dieta.

Genericamente, pode-se mudar a consistência da dieta de sólida para pastosa, o que diminui o risco de engasgamentos.

Separe cada alimento e passe-o por peneira fina ou triture-o em liqüidificador, apesar da dependência, permita que o paciente sinta o sabor de cada um deles.

Em situações de engasgos, não dê tapas nas costas, levante os braços do paciente, ou dê água.

Posicione-se imediatamente por trás dele, abraçando-o cruze as mãos, mantenha sua cabeça inclinada para frente e comprima o diafragma.

Dê preferência aos líquidos engrossados, eles minimizam o risco de engasgamentos.

Frutas devem ser oferecidas em forma de purê.

Gelatinas são sobremesas saborosas e apresentam boa consistência, podendo ser usadas como engrossantes para líquidos finos.

Proteger o paciente de si mesmo, como?

Pacientes confusos, vagantes, com limitações motoras, desorientados no tempo e no espaço, necessitam de supervisão constante e algumas medidas, que previnam a ocorrência de acidentes, tanto domésticos quanto em ambientes externos devem ser adotadas.

Dessa forma pensar em adaptar o ambiente tornando-o mais seguro e é de suma importância.

Adotar medidas preventivas ainda é a maneira mais eficaz de se promover a segurança do paciente portador da doença de Alzheimer.

É importante enfatizar que todos os cuidados preventivos estão intimamente relacionados com a adaptação ambiental.

Inicialmente analise cada compartimento da casa, a fim de eliminar riscos potenciais de acidentes.

A cozinha e o banheiro são freqüentemente os dois ambientes mais perigosos para o portador da doença de Alzheimer.

Embora as adaptações sejam necessárias, não devem descaracterizar totalmente o ambiente familiar ao paciente e pelo qual ele tem apreço. Assim, móveis e objetos familiares a ele devem ser mantidos no mesmo lugar.

Todos os objetos perigosos devem ser removidos, genericamente: os pontiagudos, cortantes, quebráveis ou pesados (faqueiro, martelo), pequenos objetos como alfinetes, botões, agulhas, moedas (que podem ser engolidos), devem ser guardados em local seguro.

Objetos como eletrodomésticos, louças, facas devem ser guardados em local seguro.

Estimule-o a ajudar com tarefas simples que não ofereçam perigo.

Nunca permita que o paciente execute atividade na cozinha quando estiver sozinho. Pense que ele pode não se recordar de como manipular eletrodomésticos com segurança.

Uma dona de casa que não mais consegue ligar uma batedeira de bolo deve ser estimulada da seguinte forma: "Tenho uma nova receita que gostaria que você fizesse, no entanto o ´segredo´ para que ele fique gostoso é que deverá ser batido à mão".

Não permita que o paciente aproxime-se de panelas contendo alimentos quentes, chama do fogão.

Mantenha o gás desligado.

Atenção com a porta da cozinha se ela se comunicar com o exterior da casa, mantenha-a fechada.

Mantenha produtos de limpeza, desinfetantes, detergentes ou inflamáveis como álcool em armários, que devem permanecer fechados.

Mantenha fósforos e acendedores em local inacessível ao paciente.

A geladeira deve ser mantida limpa e fechada. Lembrar que a maioria dos pacientes mantém uma dieta alimentar (como os hipertensos e diabéticos) que deve ser respeitada.

Gavetas na cozinha que acondicionam objetos pesados (faqueiros, por exemplo), devem ser colocadas na parte inferior do armário para evitar acidentes, caso haja o desencaixe. É extremamente comum pacientes sofrerem traumas (cortes, fraturas), após abrirem esse tipo de gaveta que (sem travas), caem aos pés gerando o acidente.

O piso da cozinha deve ser preferencialmente antiderrapante. Nunca o encere, o risco de quedas com conseqüente fratura é muito alto.

Os banheiros geralmente apresentam pisos lisos e escorregadios, deve-se providenciar tapetes antiderrapantes (emborrachados) para evitar quedas.

Se possível, deve-se colocar barras de segurança na parede do interior do box e ao lado do vaso sanitário, elas permitem que o paciente se apoie e sinta-se seguro e ainda evitam que ele se apoie em suportes falsos, como os de toalhas, cortinas, a pia.

Retire do armário do banheiros todos os medicamentos, lâminas de barbear, soluções etc. Mantenha apenas os objetos pessoais de higienização.

As tomadas devem ser especiais, cobertas por tampas.

Luminárias devem ser colocadas no alto, grandes lustres devem ser evitados. Fios e extensões mantidos fora da área de circulação.

Fechaduras devem possibilitar a abertura da porta pelos dois lados, pois auxiliam o cuidador caso o paciente tranque-se e não consiga abrir a porta.

As janelas nunca devem permanecer abertas, quando o paciente estiver só. Deve-se avaliar a necessidade de colocação de telas ou grades, especialmente nos casos de o paciente residir em apartamentos.

Mesas de centro, móveis com vidros e saliências pontiagudas devem ser removidos, quando constituem obstáculo à passagem.

Tacos soltos devem ser colados.

Tapetes soltos devem ser removidos, pois facilitam as quedas.

Pisos com desenhos podem desorientar, desequilibrar e gerar crises de alucinação e quedas.

Os lugares por onde o paciente circula devem ter preferencialmente pisos antiderrapantes, lisos (sem estampados), sem tapetes soltos, livres de objetos que possam confundir e ocasionar quedas.

Os sofás, poltronas ou cadeiras devem ser envolvidos cuidadosamente. Devem ser firmes, fortes, com antebraços que permitam o apoio para o ato de sentar e levantar, devem ainda ser revestidos de material impermeável e lavável, principalmente nos casos de pacientes incontinentes.

As paredes devem ser pintadas em tom pastel, não é aconselhável o uso de papéis de parede estampados e com desenhos, pois podem gerar crises e alucinação e agitação.

As portas devem ser mantidas fechadas e todas as chaves (com cópias) em poder do cuidador, ou em local seguro inacessível ao paciente.

O paciente nunca deve ficar totalmente no escuro, instalar luz de vigília - pequena luz que ligada à tomada, produz iluminação suficiente.

A cama convencional e baixa é indicada nas fases iniciais da doença, deve-se sempre, no entanto, avaliar a necessidade de colocação de grades laterais.

Os pacientes agitados devem ter sua cama encostada em uma das paredes e possuir grade lateral.

As camas hospitalares com grades laterais e providas de colchão "casca de ovo" são indicadas para pacientes de alta dependência.

A iluminação natural é ideal. Deve-se manter os ambientes claros e arejados.

Caso haja escadas, estas devem ser bem iluminadas e contar com corrimão de ambos os lados.

Distraia-o para que ele não suba e desça escadas desnecessariamente.

Os passeios externos devem ser incentivados, porém estarão subordinados ao grau de dependência apresentado.

Em qualquer fase da doença o paciente jamais deverá permanecer desacompanhado fora de casa.

Passeios de carro podem ser agradáveis, providencie para que haja travas nas portas, que impeçam que elas abram por dentro. Acomode o paciente preferencialmente com um acompanhante na parte traseira do automóvel, com cinto de segurança.

Como eu o "obrigo" a tomar o remédio?

Alguns pacientes recusam-se a tomar as medicações prescritas, outros querem medicar-se a todo momento. É importante reconhecer que medicamentos e doses só devem ser administrados se prescritos por um médico.

Sempre que o paciente necessitar ser medicado, deve-se consultar um médico.

Nunca dê remédios (por mais "inofensivos" que possam parecer) ou receitas caseiras para gripe, obstipação intestinal, hipertensão etc., sem que seu médico esteja ciente. É comum a ocorrência de problemas sérios após o uso de medicamentos ditos "inofensivos".

Informe todos os médicos envolvidos com o paciente com respeito às drogas utilizadas por ele.

Reações adversas podem ocorrer: agitação, alucinação, prostração, dores abdominais, náuseas, vômitos etc., neste caso o médico responsável deve ser avisado imediatamente.

Pacientes que fazem de uso de medicação digitálica devem ter seus batimentos cardíacos contados antes da medicação, pulsações abaixo de 60 batimentos/minuto devem ser comunicadas ao médico.

As medicações hipotensoras (para pressão alta) exigem controle da pressão arterial antes de serem ministradas, naqueles pacientes que apresentam variações da pressão.

Caso haja uma queda súbita da pressão arterial, contate o médico e mantenha o paciente no leito com os membros inferiores elevados, sem travesseiros. Oferecendo líquidos à vontade.

O cuidador jamais deverá mudar doses e horários das medicações sem consultar o médico anteriormente.

Nunca repartir medicamentos com outros cuidadores ou pacientes, lembre-se que uma mesma droga pode ter efeito benéfico em um paciente e produzir efeitos nocivos em outro.

Mantenha em seu poder uma lista atualizada dos medicamentos que estão sendo utilizados pelo paciente, contendo nome da medicação, dose, horário e data do início do tratamento. Estes dados poderão ser úteis em casos de reações adversas ou superdosagem.

Procure saber com antecedência quais farmácias mais próximas estarão de plantão nos finais de semana, feriados e/ou plantão 24h.

Mantenha sempre à mão o número de telefone do médico, hospitais e prontos-socorros para eventuais atendimentos de emergência.

Claramente, o cuidador deve informar ao paciente o tipo de medicamento que ele está usando e porquê. Esta medida é muito eficiente especialmente nas fases iniciais da doença e fará com que o paciente aceite a medicação com maior facilidade.

Caso o paciente não aceite a medicação, porque tem dificuldade para engolir ou cospe os comprimidos, estes devem ser triturados e misturados aos alimentos ou ao suco.

Se a absorção do medicamento for no estômago e produzir intolerância gástrica (azia, náuseas, vômitos, plenitude), o médico deve ser comunicado para, se for o caso, interromper a terapêutica, substituir a apresentação (de comprimido para líquido ou injetável) ou ainda prescrever um protetor gástrico, simultaneamente.

Supervisionar doses e horários das medicações prescritas é dever do cuidador, que não deve esperar que o paciente as tome por si só. Haverá um momento em que a responsabilidade pela administração das drogas ficará inteiramente a cargo do cuidador.

Armários que contenham medicamentos deverão ser mantidos fechados à chave, e estas guardadas em local inacessível ao paciente.

O paciente nunca deverá ficar sozinho com medicamentos ao seu alcance.

Ao administrar a medicação, o cuidador deverá ter certeza de que o paciente engoliu pois caso ele não o tenho feito, além de não estar medicado, se cuspiu, crianças e/ou animais domésticos poderão acidentalmente ingeri-Ios.

Qualquer suspeita de superdosagem de medicamentos ou ingestão de produtos tóxicos deve ser comunicada ao médico antes de se provocar vômitos ou realizar qualquer tipo de procedimento.

Em situações de emergência, quando não é possível o contato com o médico do paciente, este deve ser levado imediatamente ao pronto socorro mais próximo.

Ele esta vendo coisas, o que eu faço?

Algumas pessoas podem apresentar alucinações visuais ou auditivas, quando apresentam a falsa impressão - sem que haja um estímulo externo - de estar vendo ou ouvindo coisas que outras pessoas não vêem ou ouvem, respectivamente.

Esta alteração de comportamento provoca grande transtorno no seio familiar, especialmente porque, a maioria das pessoas não estão preparadas para administrar bem esta situação.

Esta é uma situação muito especial e requer calma e paciência para trazer o paciente de volta à realidade, sem grandes traumas.

São várias as causas que geram crises de alucinação e o paciente deve passar por uma avaliação médica para determiná-las com segurança.

Deve-se estar atento à presença de doenças do sistema urinário, infecções, dependência de álcool, reações adversas às medicações utilizadas, desidratação, dores severas e presença de fecaloma (fezes em consistência de pedra).

O cuidador deverá estar atento às reações colaterais dos medicamentos utilizados pelo paciente (efeito que ocorre simultaneamente ao desejado, nem sempre confortável para o paciente). Em presença de qualquer reação adversa (efeito indesejado e não esperado apresentado pelo paciente), como mudanças comportamentais, tremores etc. o médico deve ser avisado imediatamente.

Com o avançar da idade, a diminuição das acuidades visual e auditiva pode ser um fator desencadeante de alucinação. É importante que o paciente visite regularmente seu médico para avaliação dessas funções e possível encaminhamento à especialistas em oftalmologia e fonoaudiologia.

Não se deve discutir com o paciente aquilo que ele diz ver ou ouvir, tampouco entrar na alucinação concordando com aquilo que ele vê ou ouve. Frases como: "sei que você viu, mas eu não vi", costumam acalmar e transmitem confiança.

Tente conduzir o paciente para outro lugar da casa, convidando-o a passar por áreas mais claras, quando a alucinação acontece.

Busque atividades interessantes que o agradem e distraiam, observe fotos de paisagens bonitas, álbuns de família. Estes são alguns exemplos que ajudam a reduzir alucinações.

Tente trabalhar sempre na tentativa de trazer o paciente à realidade. Observe quais ruídos, objetos etc. são responsáveis pela alucinação e providencie para que sejam removidos.

Cortinas, papéis de parede ou louças estampadas costumam gerar crises, nesse caso, é conveniente substituí-los por padronagens lisas e claras.

Sombras na janela, podem ser provocadas por vegetação (folhas de árvores que balançam ao vento), e neste caso, devem ser podadas.

Evite espelhos, em algum momento da evolução da doença eles podem desencadear uma crise alucinatória, quando por exemplo o paciente perder a capacidade de reconhecer sua própria imagem refletida. Cobri-los ou removê-los é o ideal.

Saiba respeitar uma crise de alucinação, que para o paciente é bastante real, com palavras calmas, tom de voz suave e o toque carinhoso, traga-o de volta à realidade, transmitindo-Ihe confiança.

Andar sem parar, o que é isso?

Trata-se de um estado de inquietude que faz com que o paciente ande de um lado para outro, sem demonstrar sinais de cansaço. Fenômeno conhecido por vagância ou perambulação. É uma alteração de comportamento que também pode estar relacionada a quadros infecciosos e desidratação.

A principal preocupação evidentemente está em trabalhar para o reconhecimento das possíveis causas da vagância, além de manter a segurança pessoal/ambiental.

A perambulação pode ocorrer a qualquer momento (dificilmente no início da doença), alguns pacientes não a apresentam, isto porque não existe um padrão de evolução igual para todos eles. O cuidador deve pensar, portanto, em formas de minimizar os riscos e perigos que a perambulação pode oferecer (quedas, fugas).

Familiares próximos, comerciantes, amigos, vizinhos, devem ser comunicados quando o paciente apresentar este fenômeno. Eles devem ser orientados que, caso o paciente seja encontrado vagando pelas ruas, devem aproximar-se calmamente e tranqüilizado-o, conduzi-lo para casa.

A dieta que o paciente recebe deve ser equilibrada com uma oferta maior de carboidratos, pois o seu consumo de energia é maior. Esta é um dos fatores que pode explicar a perda de peso.

A desorientação têmporo-espacial (incapacidade para reconhecer dias e noites e o local onde se encontra) também pode explicar a inquietação motora demonstrada pelo paciente.

Infecções, reações adversas a alguns medicamentos, dores, fecalomas (fezes em consistência de pedra), devem ser descartados por um médico. Às vezes a presença de um inseto nas roupas ou qualquer outra sensação de desconforto, pode causar inquietude motora, fazendo o paciente vagar.

Alterações de sono também são responsáveis pela perambulação. Deve-se evitar que o paciente durma durante o dia. Lembrar que idosos tem menor necessidade de sono.

Pacientes que apresentam perambulação noturna (caminham à noite), não devem dormir de meias, o risco de escorregar e cair é muito alto.

Mantenha o paciente ocupado durante o dia, atividades e exercícios físicos adaptados as suas limitações (se houverem) devem fazer parte de sua rotina.

Caminhadas, atividades domésticas simples, serão de grande valor, e embora ele (a) muitas vezes não consiga terminar uma atividade, gasta energia e possivelmente terá um sono mais tranqüilo.

Medidas de segurança devem ser adotadas, mesmo para aqueles pacientes que nunca tenham se perdido; ele deve ser observado sutilmente, identificado com uma pulseira, medalha ou até mesmo na parte interna da etiqueta do vestuário com nome, endereço e se possível dados médicos.

Todos os riscos devem ser avalizados pelo cuidador. Assim, portas, janelas, poços, piscinas, escadas, sacadas, devem ser supervisionadas rotineiramente com a finalidade de manter a segurança do paciente que vaga.

Os arredores da casa também devem ser analisados, ruas com tráfego intenso oferecem grande perigo.

Travas colocadas na parte alta ou baixa da porta mantém a casa segura e dificilmente são percebidas pelo paciente.

Se houver quintal, este deve ser protegido por cercas altas e firmes ao redor.

Vãos abertos em escadas devem ser fechados.

As chaves do carro devem ser guardadas em local seguro, longe do alcance do paciente. Muitos já foram encontrados após horas, perdidos, dirigindo inclusive carros de outras pessoas. Pense que talvez retirar uma ou outra peça do carro, impedindo com isso que ele funcione, pode ser uma boa solução alternativa.

Caso o paciente saia e se perca, é conveniente iniciar a procura em locais que habitualmente ele freqüentava, familiares a ele.

Lembre-se o paciente não pode sentir-se perseguido pelo cuidador, observe-o e supervisione suas atividades com sutileza.

Não chore por mim... nem se deprima por ter que conviver com um demente. Nós não escolhemos a demência. Tenha fé. Eu choro sozinho por saber que estou limitado e por eu ser fervorosamente (veemente) apegado em minha vida. Seja você saudável. Basta eu de doente.
Não se sinta triste, enjoado ou impotente por me ver assim. Dê-me em seu coração, compreenda-me e me apóie.
Por último, quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer, estiver em fase terminal e vegetal, não se enfades. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei.
Trate de compreender que já não vivo, senão sobrevivo, e isto não é viver.



Esta carta é bem antiga e sempre bom ser lembrada

Selecionar pensamentos
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Não permitas que pensamentos infelizes criem raízes em tua mente .
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A vida não se resume aos problemas que defrontas neste momento.

Acima deles, sorriem para ti inúmeras oportunidades de progresso espiritual.

Basta que confies em teus e faças o melhor ao teu alcance.

Por isto, aprende a selecionar os pensamentos que te visitam, como quem separa as sementes sadia para cultivar o solo da alma.

Confiando e agindo no bem, encontrarás forças para que floresça em ti a harmonia e a saúde, o amor e a luz

È doloroso ver o familiar paciente amado passando por metamorfose física e espiritualmente se desligando do seu aparelhamento desgastado pela doença e pela idade.

A quem berrar o socorro da alma, entalado na garganta, no eixo de uma esfera de temores e inseguranças.

Não é um objeto que você está perdendo, é o tesouro que você conviveu a sua vida inteira, que iniciou a convivência no berço, entre a saúde no relacionamento que te envolveu em grandes lutas para seu sustentáculo, para sua formação envolvendo e tecendo sua liberdade de viver e amar, é o próprio ser que te confiou a vida que está escapando de suas mãos, carregando seus sonhos, lutas de anos de convivência entre a saúde do passado e a doença de Alzheimer completando anos de cuidados, começando pelo diagnóstico mais filial do que médico, cremes, banhos, fraldas, alimentação envolvendo os cuidados intensos e diários, e sem anunciar oficialmente chega o Alzheimer da última fase.

Ele dói, intimamente dói. Mas não o deixe te matar.
Onde está a criatura que sorria, piscava, embalava-nos no colo com segurança? Trocava diálogos repartia o pedaço de pão igualmente entre os filhos, que constituía o seu lar de cheiros e flores.

Onde está ele agora? Afundando-se na doença, na dor de uma saúde perdida, desaparecida e olvidada;

Conviver com a fraqueza orgânica do familiar paciente, da mãe ou pai agora ausente totalmente física e mentalmente é um retrato na escuridão, você vê, sente mas não suporta a dor.

Por mais conhecimento teórico sobre a doença, mais expectativas de suportar as fases que ainda tem, o cuidador se esbarra na Vicência pesada, dura e desnuda do seu sofrimento interior.


Não é rebeldia, os gritos íntimos não são manhas de amador, são dores maiores que consegue suportar.

Não é carregar alguém no colo com 100 Kilos, é carregar os 100 kilos em seu coração.

È um grito sem testemunha, é a quebra da espinha dorsal de seus sentimentos mais elevados, o familiar cuidador sofre a perda , a sepultura não está fechada, ao contrário está retida em seu intimo

Não deixe que a dor do Alzheimer te mate


È um poço sem fundo, um estado de melancolia, cansaço físico e estresse.

O cuidador solitário pode estar no meio de uma multidão, com familiares queridos, auxiliares, ele sempre será sozinho, sempre estará numa ilha deserta.

Seus sentimentos se mesclam entre o cansaço e a agonia de ver seu ente querido morrendo aos poucos na última fase, em muitos momentos ele não saberá o que fazer , seus pensamentos antes seguros e com resquício de discernimento, estão enveredando para a dor, a raiva de si próprio, de amigos e até mesmo de familiares.

Só quem passa por esta provação do final do túnel sabe, por mais que queria restituir a saúde, de todas as maneiras do ser amado, é um caminho sem volta

A tristeza, solidão, desespero podem formatar seu cotidiano.

A melancolia, a falta de refúgio para possível distração mora ao lado e não ocupa ou divide o mesmo ambiente do cuidador, estes desejos de liberdade não pertencem mais a ele que navega por mares cujas profundezas contidas neste afogamento de uma realidade que bate violentamente em seu rosto

A quem recorrer? A quem gritar por socorro? Seu amado familiar está perdendo a força física, os movimentos, o sorriso que se apagou no passado e desmascara a nudez do olhar perdido.

Pacientes fora de possibilidade de cura não estão fora de possibilidade de vida"


È possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema.

Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, se dá conta de que tem algo errado e procura um médico, que dá a sentença: tem Alzheimer.

Esse diagnóstico é um marco na vida de muitas famílias. Tudo muda a partir daí, e muitos se vêem sozinhos. Não há ninguém para ajudar ou para desabafar. Mesmo os que antes faziam visitas frequentes e dividiam os almoços de domingo, agora parecem ter se esquecido de qualquer laço que possuíam.
Quando se vende saúde certo parente aparece, mas na doença ele esquece.

Portanto, somos a favor da vida e da esperança sempre!

CUIDADOS COM A PELE
A pele do idoso é muito fininha, faço sempre a comparação com a folha de papel de seda, pois para mim é o que mais se aproxima da pele deles, então todo cuidado é pouco.

O principal é manter o idoso bem hidratado e claro alimentado, ao perceber manchas diferentes na pele seja qual for a tonalidade, consulte o médico, o câncer de pele em idoso é mais comum do que podemos imaginar.

ESCARAS:

As escaras surgem pelo fato da pessoa ficar em uma só posição por muito tempo, por isso a necessidade da mudança de decúbito (mudar de lado) a cada 02 horas, não deixar a roupa tanto de cama como do próprio vestuário fazer vincos ou dobras, trocar a fralda (caso acamado) todas as vezes que estiver molhado, fazer um rodízio de locais para restringir (caso o paciente precise ficar restringido).

PRIMEIROS SINAIS DE ESCARAS:

A pele onde está em atrito seja com o colchão, ou qualquer outro local, começará a ficar vermelha, nesse primeiro sintoma é o aconselhado a mudr mais vezes de posição e fazer massagem de alívio para melhorar a circulação com o óleo de girassol ou dersani, que auxiliam a melhora.

Após o estágio de "vermelhidão", a pele ficará sem cor, (sabe quando se usa um sapato novo e ele aperta o canto do dedo e quando tiramos o dedo está branquinho? Exatamente igual ficará a pele da pessoa, seja em qual local for) é o que chamamos de falta de circulação sanguínea. Nesse caso o aconselhável é PRIMEIRO CONVERSAR COM O MÉDICO, depois continuar fazendo mudanças de posição e colocar o dersani ou óleo de girassol coloque um algodão e gaze para proteger e não "esfolar" mais a pele pois o atrito pode piorar.

JAMAIS UTILIZE ESPARADRAPO, MICROPORE ou SIMILAR, quando for retirar a pele do idoso sairá junto com o esparadrapo. Não precisa fixar, só cobrir para evitar que haja maior atrito.

Depois do estágio "de falta de cor", poderá surgir algumas "BOLHAS DE ÁGUA" NUNCA EM HIPÓTESE ALGUMA FURE, CORTE OU ARRANQUE A PELE.
A pele serve de proteção mesmo com bolhas.

FEBRE NO IDOSO
NORMALMENTE o idoso não acusa febre, ou seja ele poderá estar com uma infecção severa e não apresentar febre, como detectar:

Cada organismo é único então cada pessoa poderá apresentar sinais diferentes, se for infecção de urina que é o mais comum, pode ser detectado por odor, dificuldade de urinar, confusão mental, dores nas pernas, sono excessivo, enjôo, falta de apetite, o ideal é sempre observar e se notar qualquer diferença comunicar o médico e fazer os exames de sangue e ou urina.

CUIDANDO DO IDOSO EM CASA...
As pessoas que contratamos para cuidar dos nossos amadinhos podem ter muito boa vontade, mas terão que ter também paciência e como diria minha avó; PULSO FIRME, caso contrário o idoso se aproveita e deixa de relizar tarefas simples e necessárias.

É importante o idoso ou o paciente de DA, ter autonomia, fazer as coisas sozinho, mesmo que demore deixe que ele faça... Comer sozinho, andar, tomar banho se vestir, você ou a cuidadora pode até supervisionar, mas enquanto ele tiver capacidade para fazer mesmo que de uma forma demorada, deixe que ele execute.

Cuidadores ou mesmo nós, temos que fazê-los se alimentar nos horários corretos, tomar banho; manter a higiene é fundamental;trocar de roupa, caminhar, evitar dormir no período da tarde, se o fizer que seja no máximo 02 horas para não atrapalhar o sono durante a noite.

Alimentação e hábitos sociais podem sofrer alterações devido ao DA, ou seja o paciente pode detestar uma vida inteira mingua de aveia e após o DA começar a Adorar, ou vice-versa...

JAMAIS TER EM CASA:

TAPETES, Móveis com quina, se tiver degraus, coloque portinhas para evitar que subam ou desçam sozinhos e caiam.
Parágrafo único. As vendas posteriores ao período fixado no caput deste artigo devem, necessariamente, ser realizadas mediante a apresentação de nova prescrição médica e/ou laudo/atestado médico.
Art. 6º A quantidade de fraldas fica limitada a até 4 (quatro) unidades/dia.
Art. 7º Fica dispensada a obrigatoriedade da presença física do paciente, titular da prescrição médica e/ou laudo/atestado médico, quando enquadrar na condição de incapacidade nos termos dos arts. 3º e 4º do Código Civil desde que comprovado.
§ 1º A dispensação do produto de higiene pessoal somente será realizada mediante a apresentação dos seguintes documentos:
I - do paciente, titular da receita, CPF, RG ou certidão de nascimento; e
II - do representante legal, o qual assumirá, juntamente com o estabelecimento, as responsabilidades pela efetivação da transação: CPF e RG.
§ 2º Considera-se representante legal aquele que for:
I - declarado por sentença judicial;
II - portador de instrumento público de procuração que outorgue plenos poderes ou poderes específicos para aquisição de produto de higiene pessoal junto ao programa; e
III - portador de instrumento particular de procuração com reconhecimento de firma, que autorize a compra de produto de higiene pessoal junto ao programa.

FRALDAS GERIÁTRICAS NA FARMÁCIA POPULAR
Diário Oficial da União – Minist. Da Saúde
PORTARIA Nº 3.219, DE 20 DE OUTUBRO DE 2010

Art. 4º Para a comercialização de produto de higiene pessoal no âmbito do Programa, os estabelecimentos obrigatoriamente devem observar as seguintes condições:
I - disponibilizar Fraldas Geriátricas para Incontinência de produtores que cumpram os requisitos técnicos estabelecidos pela Portaria nº 1480/GM/MS, de 31 de dezembro de 1990, e RDC/ANVISA nº 10, de 21 de outubro de 1999;
II - para a dispensação de Fraldas Geriátricas para Incontinência, o paciente deverá ter idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos;
III - apresentação pelo paciente, portador do Cadastro de Pessoas Físicas - CPF cuja titularidade será atestada pelo estabelecimento por meio da apresentação de documentos com a foto do paciente;
IV - apresentação de prescrição médica e/ou laudo/atestado médico com as seguintes informações:
a) número de inscrição do médico no Conselho Regional de Medicina - CRM, assinatura e endereço do consultório;
b) data da expedição da prescrição médica e/ou laudo/atestado médico; e
c) nome e endereço residencial do paciente.
§ 1º O estabelecimento deverá providenciar uma cópia da prescrição médica e/ou laudo/atestado médico apresentado pelo paciente no ato da compra e mantê-la por 5 (cinco) anos e apresentá-la sempre que for solicitada.
§ 2º Caberá ao estabelecimento manter por um prazo de 5 (cinco) anos e apresentar, sempre que necessário, as notas fiscais de aquisição do produto de higiene pessoal do Programa junto aos fornecedores.
Art. 5º Para o produto de higiene pessoal do Programa, as prescrições médicas e/ou laudos/atestados médico terão validade de 120 (cento e vinte) dias, a partir de sua emissão, podendo a retirada ser a cada 10 dias.
A curatela lhe dá todos os direitos de agir em nome da pessoa, como se fosse ela.

Normalmente a curatela é dada a um dos filhos, mas nada impede que netos a tenham.

Mas é importante lembrar que este Curador irá ligar com os bens e valores, e portanto deverá dar satisfações de tudo o que movimentar, tais como recebimentos de aposentadoria, alugueis, etc..

A unica coisa que é vedada (não permitida) é a venda de bens, onde se deve pedir autorização do juiz e com a concordancia de todos os envolvidos, no caso filhos e conjuge se houver.

O fato de voce não querer a internação de sua avó, isso a torna uma cuidadora, pois não adianta voce obrigar as pessoas que cuidam dela agora a continuar, pois devem estar tomando esta atitude por algum motivo, mesmo voce não aceitando, é o ponto de vista deles.

Voce se tornando curadora poderia utilizar os beneficios dela para cuidar, mas lembrando sempre que terá que prestar contas, e se caso venha a sair do emprego para cuidar e achar que no valor poderá ser incluido algo para custear suas coisas pessoais como um salario ou algo do tipo, não se esqueça de pedir autorização dos envolvidos por escritor, pois mais tarde poderão cobrar estes valores de voce.
CURATELA
Oque é?

A Curatela é o instituto jurídico pelo qual o magistrado nomeia uma pessoa, denominada Curador, com a finalidade de administrar os interesses de outrem que se encontra incapaz de fazê-lo. Nosso Ordenamento Jurídico trata deste instituto nos artigos 1767 e seguintes do Código Civil de 2002.

Mas antes de tecer considerações a incapacidade do curatelado há que se considerar o que determina nossa legislação a respeito da Capacidade de uma pessoa. Para tanto, o artigo 1º do Código Civil de 2002 determina que “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Apenas são considerados inaptos para o exercício da vida civil, ou seja, absolutamente incapazes de exercê-la, dentre outros, “os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos” (inciso II do artigo 3º). E são essas pessoas que o instituto da Curatela visa proteger.

Sujeitos à Curatela

Aquelas pessoas que poderão ser submetidas ao instituto da curatela, denominados Curatelados, são as pessoas elencadas no artigo 1767 do Código Civil:

Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela:

I - aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil;

II - aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade;

III - os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos;

IV - os excepcionais sem completo desenvolvimento mental;

V - os pródigos.